Thursday, June 13, 2024
HomePortuguêsSerá o arsénio encontrado no arroz uma das causas da esteatose hepática?

Será o arsénio encontrado no arroz uma das causas da esteatose hepática?

Um estudo recente nos EUA analisou como a exposição ao arsénico encontrado no arroz coloca certos indivíduos em risco de esteatose hepática não alcoólica.

A esteatose hepática não alcoólica (EHNA) é a doença hepática mais comum dos países desenvolvidos. Nos EUA, cerca de 30% da população adulta sofre de EHNA, que pode progredir para inflamação do fígado, fibrose e, mais tarde, cancro. Enquanto que a EHNA ocorre primariamente em pacientes obesos, pensa-se que a genética e a exposição a determinados poluentes ambientes são também fatores de causa.

Indícios recentes sugeriram que o arsénio poderá ser um dos poluentes ambientais causadores da EHNA. Apesar das regulamentações governamentais estabelecidas para o controlo dos níveis do arsénio na água de consumo público, este metal pesado pode ser acumulado no solo e portanto absorvido por determinadas plantas. Em específico, o arroz pode absorver e armazenar arsénio em excesso que é depois transferido para os consumidores aquando a sua ingestão. Nos EUA, os níveis de arsénio no sangue aumentam 14% com o consumo de cada quarta parte de copo de arroz.

O arsénico causa EHNA em ratos

A fim de investigar a potencial ligação entre a exposição ao arsénio encontrado no arroz e o risco elevado de EHNA, os investigadores levaram a cabo um estudo com modelos animais, i.e. em ratos. Foi descoberto que os ratos expostos ao arsénio apresentavam as etapas mais desenvolvidas de danos hepáticos e inflamação, mais do que os alimentados por uma dieta rica em gorduras.

Para determinar se a mesma ligação poderia ser observada em humanos, os investigadores inquiriram 8,516 americanos de idade, peso, sexo e etnicidade variados entre 2005 e 2014. Ao invés de uma biopsia ao fígado, a EHNA foi analisada através dos níveis de alanina-aminotransferase (ALT) no sangue, uma enzima do fígado normalmente elevada em pacientes com EHNA. A exposição ao arsénio foi analisada através de amostras de urina que mostram a ingestão de arsénio por paciente nos passados 3 dias. Os resultados foram recentemente publicados em Environmental Health.

Determinados grupos étnicos correm maior risco

Os investigadores descobriram que os níveis altos de arsénio encontrados nas amostras de urina refletem de fato um aumento da probabilidade de EHNA. Este fato foi observado independentemente do peso do paciente, o que significa que a obesidade não desempenha um papel tão significativo como pensado. No entanto, os investigadores descobriram que a obesidade agravava a situação pois estes pacientes mostraram níveis altos de ALT.

Os investigadores descobriram também que determinados grupos étnicos estavam mais expostos ao arsénio encontrado no arroz que outros. A relação mais significativa foi encontrada em norte-americanos de origem mexicana, sendo que outros grupos de origem hispânica, afro-americanos, e asiático-americanos mostraram também um risco elevado. Os investigadores acreditam que este risco está associado à variação de dietas culturais. Aquelas em que o arroz é um alimento básico estão mais expostos ao arsénio. Os investigadores teriam que determinar a dieta alimentar de cada participante para saber ao certo quais os níveis de exposição.

A equipa de investigadores procura agora confirmar esta hipótese através de inquéritos a pacientes de EHNA. Ao entender quem poderá estar exposto ao risco de EHNA, a equipa de investigadores pretende desenvolver programas comunitários para ajudar os pacientes antes que se verifiquem danos hepáticos severos e cancro. Este é o primeiro estudo a avaliar esta associação em humanos. Os investigadores esperam que em conjunto com futuras investigações se possam identificar os mecanismos envolvidos e a implementação de estratégias para prevenir e reduzir os efeitos da exposição ao arsénio.

 

Escrito por Calvin J. Chan, B.Sc.
Traduzido por Ângela Carvalho

Referências:

Frediani, J.K., Naioti, E.A., Vos, M.B., Figueroa, J., Marsit, C.J. and Welsh, J.A. (2018). Arsenic exposure and risk of nonalcoholic fatty liver disease (NAFLD) among U.S. adolescents and adults: an association modified by race/ethnicity, NHANES 2005-2014. Environmental Health. 17:6.

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Latest News and Articles

SUBSCRIBE TO OUR NEWSLETTERS

Stay Connected
10,288FansLike
820FollowersFollow
249FollowersFollow
2,787FollowersFollow

Article of the month

Vitamin D as an Anti Colorectal Cancer Agent in 2024 – a Review of the Evidence

Vitamin D has a protective effect against colorectal cancer, but it is patient and population dependent.According to the WHO, colorectal cancer (CRC) is the...

Joke Of The Day- June 13

After 20 hours in delivery, a woman changes her mind and decides to go home. Doctor: This is the first time I have seen a...

ADVERTISE WITH US

error: Content is read-only and copy-protected.